25 de Abril: Cavaco Silva alerta para desafios de Portugal

25 abrilO Presidente da República alertou hoje que os desafios de Portugal para o futuro “não se esgotam na dimensão orçamental”, destacando a questão do desemprego, a situação dos reformados e a valorização dos funcionários público.

“Portugal enfrenta hoje grandes desafios quanto ao seu futuro, desafios que não se esgotam na dimensão orçamental”, afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, no discurso na sessão solene do 40.º aniversário do 25 de Abril, que decorreu na Assembleia da República.

Apontando alguns desses desafios, Cavaco Silva elegeu o combate ao desemprego como “uma das prioridades da ação política”, pediu “uma atenção muito particular” para a situação dos reformados e alertou que reformar “a Administração não significa fragilizá-la num dos seus aspetos essenciais: a qualidade dos seus recursos humanos”.

Pois, sublinhou, não obstante a necessidade e até urgência de uma reforma da administração pública, “só através de um reforço da qualificação dos trabalhadores do Estado e da justa recompensa do mérito” se conseguirá “prestigiar o exercício de funções públicas e garantir que a administração atue de forma eficiente, imparcial e independente, livre da pressão de interesses privados ou do clientelismo político”.

Quanto ao desemprego, Cavaco Silva alertou para “o sério risco” de o desemprego de longa duração – especialmente quando afeta pessoas com mais de 45 anos e ameaça o seu retorno ao mercado de trabalho – “pôr em causa alguns dos pilares fundamentais” da sociedade.

“Devemos ainda ter presente, de modo muito particular, a situação dos reformados, daqueles que, ao fim de uma vida de trabalho, se viram subitamente confrontados com situações que ameaçam o seu legítimo direito a uma existência com dignidade”, acrescentou, falando ainda sobre o aumento de assimetrias que podem colocar em causa a coesão do país e as situações de pobreza.

Além disso, continuou, Portugal tem um ativo que não pode desperdiçar: os jovens.

“As novas gerações dispõem de talento e de conhecimento como nenhuma outra geração teve no passado. Temos jovens investigadores e cientistas de mérito internacionalmente reconhecido. Foi feito um investimento público muito significativo na qualificação dos nossos jovens. A política científica de um país e a inovação e competitividade que resultam dessa aposta são decisivas para o futuro”, defendeu, pedindo também “um novo olhar sobre a diáspora”.

Insistindo que cabe aos agentes políticos estar conscientes destes desafios e apontar um caminho de esperança aos portugueses, o Presidente da República recuperou também a questão da corrupção, voltando a pedir que o seu combate seja assumido como uma prioridade e que o interesse público seja sempre colocado acima dos interesses privados.

Contudo, ressalvou, o combate à corrupção não pode fazer-se através de “intervenções populistas”, porque “os que trilham o caminho da demagogia podem ter uma popularidade efémera, mas nunca conseguirão combater eficazmente a corrupção” e “contribuem para descredibilizar as iniciativas sérias para a prevenir e as investigações em curso para a combater”.

Quarenta anos depois do fim da censura, o Presidente da República deixou igualmente um apelo à comunicação social para informar e esclarecer os cidadãos com objetividade e rigor, “dando espaço ao confronto de opiniões livres, mas fundamentadas”, pedindo também aos partidos para abandonarem a tendência de “privilegiar o acessório e o efémero em detrimento do essencial”.

“Em detrimento de uma análise dos problemas reais dos portugueses e de um estudo aprofundado de assuntos essenciais para o nosso futuro, privilegia-se o insulto e a difamação, o imediatismo e a superficialidade. Caso persista, esta tendência levará a um progressivo afastamento dos cidadãos, sobretudo dos mais jovens, relativamente à atividade política. E, desse modo, o necessário e saudável escrutínio cívico das instituições e da ação dos titulares de cargos políticos será substancial e perigosamente reduzido”, considerou.

“A democracia não corre perigo, mas, 40 anos depois do 25 de Abril, é tempo de os partidos repensarem o sentido da sua ação e assumirem a responsabilidade que lhes cabe na construção do futuro de Portugal”, sublinhou.

Lusa