Acordo entre PS e CDU viabiliza executivo da Junta de Freguesia de Santo André

O executivo da Junta de Freguesia de Santo André foi finalmente constituído após um impasse na votação  das várias forças políticas com assento na assembleia de freguesia que se arrastou nas últimas semanas.

Na 3ª reunião da primeira sessão da assembleia de freguesia, que se realizou ontem à noite, o presidente David Gorgulho anunciou um entendimento entre os eleitos da CDU e do PS que permite aos comunistas governarem o executivo, com a eleição de quatro vogais, mediante um conjunto de propostas apresentadas pelos eleitos do Partido Socialista.

A proposta da CDU para o executivo da Junta de Freguesia, que incluía uma lista composta por quatro elementos da CDU, foi aprovada com seis votos a favor, três contra e quatro abstenções. Na votação para a mesa da assembleia de freguesia, foram eleitos João Ferrinho (CDU), presidente, Vanessa Silva (CDU), 1ª secretária e Helena Simões (CDU), 2ª secretária, com os seis votos a favor, três contra e quatro abstenções.

“O PS pediu em troca algumas propostas que estavam no nosso programa, com o enfoque a nível ambiental e cultural”, sublinhou aos jornalistas Vítor Correia, eleito do Partido Socialista, que só viabilizou o executivo depois de aceites algumas exigências. “Há muito tempo que temos vindo a pensar nessa situação e, pelo impasse criado, só com as ideias do Partido Socialista, colocadas no programa da CDU, permitiríamos a viabilização do executivo”, acrescentou o socialista que reconhece tratar-se de um trabalho de todas as forças políticas (PSD/CDS e Bloco de Esquerda (BE)).

“Não foi um trabalho só do PS tentámos também que o PSD estivesse neste elencar de propostas para apresentar à CDU mas  acabou por sair deste convénio. No entanto, continuámos a negociar com o Bloco de Esquerda até à última reunião, onde as propostas do BE, principalmente, a do mini-bus, não foram aceites pela CDU”, levando à saída do Bloco de Esquerda das negociações. “As [propostas] do PS foram sendo trabalhadas e moldadas até chegarmos a um acordo”, esclareceu Vítor Correia.

Em declarações aos jornalistas, João Fonseca Santos, eleito do Bloco de Esquerda, que fez parte do convénio até à última reunião, diz que abandonou as negociações por não concordar com as alterações que foram feitas às propostas do programa eleitoral do BE. “Não concordei por entender que não correspondiam aquilo que pretendíamos e decidimos não avançar”, explicou o eleito.

“Nós queríamos propostas concretas e aqui é que falhou”, dando o exemplo do Parque de Auto- Caravanas. “Entendia que devia ser durante este mandato e eles disseram que não podiam pôr no acordo uma coisa que não tinha a garantia de vir a ser executada. Perante isto não podia aceitar”, esclareceu.

Quanto ao acordo alcançado entre o PS e a CDU, que permitiu aos comunistas liderarem o executivo, Fonseca Santos diz “não entender” uma vez que, desde a primeira hora, todas as forças políticas acordaram que “a solução passava por todos os partidos ficarem representados na assembleia”.

“O Partido Socialista, ao rejeitar uma proposta de dois membros do PS e agora aprovar os cinco [CDU], ficou a perder, claramente”, sublinhou João Fonseca Santos que rejeita a palavra traição. “Sinto que o Partido Socialista optou por outra coisa (…) o nosso sentido de responsabilidade indicava que tinha de haver um representante de cada partido no executivo, não havendo e, perante a possibilidade de um acordo, que todos os partidos tivessem representação ao nível do programa, o PSD demarcou-se, o BE saiu pelas razões apontadas e o PS avançou por entender que é o melhor para eles e para Santo André mas não era isto que o Bloco pretendia”, lamentou.

Já o presidente da Junta de Freguesia de Santo André, David Gorgulho saudou “a resolução do impasse” e a “atitude de responsabilidade do Partido Socialista” ao “viabilizar este executivo”.

“O conjunto de propostas apresentadas pelo PS e aceites pela CDU envolve várias áreas, desde a cultura, ao ambiente e mobilidade urbana, que vão complementar o programa exigente que a CDU apresentou aos cidadãos de Santo André. Assumimos o compromisso de cumprir, em primeira instância, os compromissos assumidos com os eleitores da CDU mas também aquilo que são as propostas do Partido Socialista”, realçou o autarca lembrando que a execução do orçamento, no último mandato, se situou acima dos 95 por cento.

Para os próximos quatros anos, o Partido Socialista já traçou prioridades: “O Orçamento da Junta de Freguesia será revisto, anualmente, pelo Partido Socialista. Vamos trabalhar nas Grandes Opções do Plano e se, realmente, as ideias convergirem deixamos passar o orçamento, se se tornarem complicadas, não deixamos passar”, avisa o socialista que alude para “uma questão de trabalho e entendimento” entre todos os eleitos. “Os principais fatores para que este acordo fosse para a frente foram os interesses da população porque ninguém iria compreender que não nos conseguíamos entender”, concluiu.

Para o Bloco de Esquerda, o mandato será “de trabalho para representar bem Santo André, principalmente, porque os interesses dos cidadãos têm de ser defendidos”, concluiu Fonseca Santos. 

Recorde-se que a assembleia de freguesia de Santo André é composta por 13 elementos (6 da CDU, 4 do PS, 2 do PSD/CDS-PP e 1 do BE).

 
 

 

 

 

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