Advogado de Ermidas-Sado desaparece e deixa clientes sem respostas

Um jovem advogado, com escritório em Ermidas-Sado, está desaparecido há vários meses e desde então que os clientes não conseguem reaver os montantes pagos ao causídico pelos processos que entretanto ficaram por resolver.

É o caso de Ana (nome fictício) que entregou 7600 euros ao seu advogado para pagar a escritura de um terreno que nunca chegou a acontecer. “Ofereceu-se para fazer a escritura em Lisboa e como estava a trabalhar confiei nele. Combinámos o valor do sinal do terreno, por transferência bancária, e o outro seria dado no ato da escritura. Passei um cheque no valor de 7600 euros, que foi levantado por ele na dependência de Alcácer do Sal”, adiantou. 

‘Ana’ diz que o cheque foi levantado a 6 de outubro, apesar de a escritura não ter sido realizada nesse dia. Perante o impasse, a jovem, residente em Ermidas-Sado, começou a ficar desconfiada das intenções do advogado que desapareceu, após contactar a cliente, dando garantias de que a escritura tinha sido efetuada. “Andava desconfiada porque já não tinha o dinheiro na minha conta e ele não tinha feito a escritura. No dia em que me ía apresentar os papéis, fugiu”, acrescentou.

Também o filho de Paula (nome fictício), residente em Alvalade, recorreu ao advogado, com escritório na Avenida Manuel Joaquim Pereira, em Ermidas, após um acidente de trabalho. Pagou-lhe 300 euros e ficou sem dinheiro e sem advogado. “O meu filho precisou dele como advogado, só que pagou-lhe os 300 euros e depois ele ‘pirou-se’ e nunca mais soube nada dele”, lamentou.

Foi um caso de partilhas que juntou, há cerca de quatro anos, Maria (nome fictício) e o advogado de Ermidas-Sado que recebeu da sua cliente 450 euros sem nunca ter resolvido o caso. “Na altura o advogado interessou-se pelo caso e pediu-me 250 euros para abrir o processo mas foi sempre adiando a entrega do processo em tribunal até que em novembro pediu-me mais 200 euros para entregar os papéis em tribunal, afirmando que no final do mês me dizia qualquer coisa e foi nessa altura que desapareceu”, explicou ‘Maria’ que está preocupada com o desaparecimento do advogado que, diz, tem na sua posse uma procuração assinada por si. “Quando soube do seu desaparecimento, contactei a secretária porque os meus papéis estão todos no escritório dele, inclusive uma procuração assinada e não sei o que poderá acontecer com esse documento”, adiantou.

Sem saber do seu paradeiro, ‘Ana’, que entretanto foi contactada por um advogado da família, continua sem fazer a escritura do terreno tendo apresentado queixa na Ordem dos Advogados e no Ministério Público. O destacamento da GNR de Santiago do Cacém confirmou à Miróbriga a existência de apenas uma queixa contra o advogado, apresentada em dezembro, no posto de Ermidas-Sado. A mesma fonte adiantou que o caso ainda não está a ser investigado, aguardando por despachos do Ministério Público.

Contactado pela Miróbriga, o presidente da delegação de Santiago do Cacém da Ordem dos Advogados recusou falar sobre o caso.

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