Alentejo: Cante alentejano como património da humanidade “trouxe reconhecimento”

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O cante alentejano tornou-se uma mais-valia para o desenvolvimento do Alentejo com a classificação como Património da Humanidade, há um ano, que trouxe reconhecimento mundial e aumentou a responsabilidade na salvaguarda do bem, segundo responsáveis da candidatura.

A classificação, atribuída pela UNESCO a 27 de novembro de 2014, “trouxe, antes de mais, um reconhecimento do cante à escala global e aumentou, de forma exponencial, a autoestima dos alentejanos por uma região, uma cultura e uma identidade”, disse à agência Lusa o coordenador da candidatura, o antropólogo Paulo Lima.

Atualmente, frisou, os alentejanos “olham para o cante alentejano”, um canto coletivo sem recurso a instrumentos, “com uma dignidade enorme, o que é visível na adesão dos jovens àquela prática musical” e na criação de novos grupos corais.

A distinção, atribuída graças a uma candidatura apresentada pela Câmara de Serpa e pela Entidade Regional de Turismo, continuou, também trouxe “um acréscimo de responsabilidade do Alentejo e de outros territórios onde há cante alentejano na salvaguarda do bem e abriu uma nova perspetiva do cante como fator económico”.

“O cante alentejano transformou-se num produto turístico e numa mais-valia, que contribui para o reconhecimento e o desenvolvimento do Alentejo do ponto de vista do turismo”, explicou.

Em declarações à Lusa, o presidente da Turismo do Alentejo, António Ceia da Silva, considerou que a classificação “trouxe um reconhecimento, uma relevância e um destaque que o cante alentejano não tinha”.

O cante, “como forma cultural e de identidade do povo alentejano, também se tornou uma mais-valia” para a região em termos turísticos, disse Ceia da Silva, frisando que “a questão da identidade é decisiva na afirmação do destino turístico Alentejo”.

“As tendências do turismo para os próximos anos levam a considerar que a nova geração de turistas vai procurar destinos fortemente identitários e distintivos e, obviamente, a classificação do cante trouxe para o Alentejo um peso muito forte a nível identitário”, explicou Ceia da Silva.

O presidente da Câmara de Serpa, Tomé Pires, também manifestou a opinião de que a classificação “trouxe um grande reconhecimento do cante, que já era reconhecido pelos alentejanos e por muitos portugueses e passou a ser à escala mundial e, logicamente, um acréscimo de responsabilidade” para o salvaguardar.

Segundo o autarca, a Câmara de Serpa e a Turismo do Alentejo estão a gerir a implementação do plano de salvaguarda do cante, que fez parte da candidatura e inclui orientações genéricas para desenvolvimento de projetos por várias entidades para salvaguardar, valorizar, promover e transmitir às novas gerações o cante alentejano.

“A ideia é gerir o processo com regras definidas para que, quando tivermos de responder à UNESCO, tenhamos um relatório com as informações sobre tudo o que se está a fazer no âmbito do plano de salvaguarda do cante alentejano” para que “a classificação se mantenha por muitos e bons anos”, disse o autarca.

O objetivo, frisou Tomé Pires, “é que, no futuro, possamos ter um cante forte e usá-lo, de forma saudável, também para valorizar e desenvolver o Alentejo, nomeadamente na vertente turística”.

A Câmara de Serpa tem vindo a contactar os grupos corais e as autarquias do Alentejo para sensibilizá-los para a implementação de ações enquadráveis no plano.

No caso de Serpa, a autarquia promove há 10 anos o ensino do cante nas escolas básicas do concelho, criou a Casa do Cante e está a trabalhar no projeto de criação do Museu do Cante, indicou.

Por outro lado, frisou, “há muitos municípios e grupos corais alentejanos” que têm vindo a desenvolver projetos que se enquadram na estratégia do plano, como os de ensino de cante alentejano nas escolas.

“Todos têm de contribuir para esta tarefa coletiva, mas, independentemente do que cada um pode fazer, há um plano específico que a Câmara de Serpa e a Turismo do Alentejo irão executar nos próximos anos” e que prevê várias ações, como criação de roteiros e casas de cante, explicou Ceia da Silva.

Segundo a Casa do Cante, de Serpa, atualmente, em Portugal, existem cerca de 150 grupos corais alentejanos ativos, sendo que a maior parte são do distrito de Beja.

Fonte:Lusa

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