Arraiolos: Certame “O Tapete está na rua” arranca sexta-feira

 

 

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Um Tapete de Arraiolos de grandes dimensões vai estar em destaque no certame ‘O Tapete está na Rua’, que arranca na sexta-feira naquela vila alentejana, para alertar para a “necessidade urgente” da sua certificação.

Organizado pelo município, ‘O Tapete está na Rua’ decorre até terça-feira e, tal como nos anos anteriores, integra uma mostra de tapetes estendidos nas ruas e praças e pendurados nas portas, janelas, varandas e nos edifícios mais característicos da zona “nobre” de Arraiolos.

A autarca assinalou que a confeção do tapete de grandes dimensões, que levou quase um ano e meio, “contou com a participação de pessoas das casas de Tapetes de Arraiolos e de vários voluntários”, envolvendo “cerca de 30 pessoas”.

O confeção deste tapete, cujo modelo foi inspirado em tapetes datados do século XVII, visa “chamar a atenção para este património que precisa urgentemente de ser certificado para evitar as cópias”, afirmou.

Sílvia Pinto explicou que ainda não foi regulamentada a lei aprovada em 2002 pela Assembleia da República para permitir a certificação dos tapetes, lamentando que a legislação esteja “na gaveta há mais de 10 anos”.

Outra das novidades da edição deste ano do certame é a “designação” do domingo como “o Dia da Tapeteira”, em que várias artesãs da vila vão estar nas principais ruas do centro histórico a coser “ao vivo” o seu tapete.

No panorama musical, estão previstos os concertos de Pedro Moutinho (sexta-feira) e David Fonseca (sábado) e as atuações do Rancho Etnográfico “Os Camponeses de Arraiolos” e do projeto ‘Voz à Rua’.

Estão ainda previstas várias exposições, um mercado medieval, uma feira do livro, ‘workshops’, animação de rua, uma sessão de contos, um espetáculo de ballet e marchas populares.

Do Tapete de Arraiolos, bordado a lã sobre tela, conhecem-se referências já desde os finais do século XVI (1598), com origem na vila alentejana com o mesmo nome, povoada no princípio do mesmo século por mouros e judeus, expulsos da mouraria de Lisboa por D. Manuel I.

Segundo investigações históricas, as famílias ali fixadas encontraram abundantes rebanhos de boa lã e diversidade de plantas indispensáveis ao tingimento e fabrico das telas onde são manufaturados os tapetes, empregando a técnica do ponto cruzado oblíquo, denominada ‘Bordado de Arraiolos’.