Consumo de antidepressivos duplicou em quatro anos

No Dia Mundial da Saúde Mental o Governo prepara-se para avançar com um novo modelo de financiamento na área da saúde mental.

O consumo de antidepressivos em Portugal duplicou entre 2013 e 2016. Só no ano passado, foram consumidos cerca de 30 milhões de embalagens de medicamentos para a depressão, ansiedade e outros problemas de saúde mental.

Os centros de saúde diagnosticaram perturbações depressivas em 9,3% dos utentes em 2016. Estes dados constam do relatório do Programa Nacional para a Saúde Mental que é apresentado esta terça-feira.

No mesmo ano foram vendidas 11,8 milhões de embalagens de antipressivos.

O relatório indica que a maioria dos jovens entre os 13 e os 18 anos que tomou psicofármacos fê-lo através de prescrição médica, o que leva responsáveis da área da saúde mental a “questionar sobre a racionalidade da prescrição destes fármacos”.

O documento refere que o maior consumo de psicofármacos, nomeadamente tranquilizantes e sedativos, deu-se já perto dos 18 anos, idade em que 17,2% dos jovens consumiram estes medicamentos, mediante receita médica, e 6,1% sem a prescrição do clínico. Aos 17 anos, a prescrição com receita médica destes fármacos atingiu os 15,6% e os 6,4% sem receita e os jovens com 15 anos registam uma percentagem de 12,7% com receita e cinco por cento sem prescrição.

No Dia Mundial da Saúde Mental o Governo prepara-se para avançar com um novo modelo de financiamento na área da saúde mental. Os hospitais vão passar a receber uma verba por doente e não por número de consultas ou de internamentos, como acontece no presente. 

A Ordem dos Psicólogos recorda que no Serviço Nacional de Saúde (SNS) existe apenas um psicólogo para cada 16.500 portugueses e que se continua a aguardar que a tutela avance com a contratação de 55 psicólogos que tinham sido assumidos pelo Governo.

“Trata-se efetivamente de investimento. Porque na área da saúde mental, ao investirmos, estaremos a prevenir tanto o sofrimento das pessoas como a prevenir outros custos, como com psicofármacos”, referiu o bastonário à agência Lusa.

Francisco Miranda Rodrigues reconhece que muitos dos psicofármacos prescritos e consumidos serão sempre necessários para casos de perturbações mais graves, mas considera que algumas perturbações de ansiedade ou depressivas podiam ser prevenidas ou encaminhadas de outras formas.

 

Fonte: Lusa

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