Deputada do BE critica Câmara de Santiago do Cacém por ausência de políticas públicas para o bem estar animal

A deputada do Bloco de Esquerda, Maria Rola, criticou esta segunda-feira a Câmara de Santiago do Cacém pelos atrasos na resposta ao bem estar animal.

Numa visita que realizou às instalações do Canil Municipal e da Associação São Francisco de Assis, ambos no Pinhal do concelho, a deputada lamentou que a única resposta à lei “do não abate” de animais errantes seja a construção de um centro de recolha intermunicipal.

Ainda existe um atraso por parte da Câmara Municipal [de Santiago do Cacém] naquilo que são as respostas ao bem estar animal. Não obstante terem há alguns anos um canil que vai albergando alguns animais, entre 50 a 60 cães, o que é verdade é que as respostas que se estão a pensar neste momento, para fazer face a uma lei que obriga os municípios a dar uma resposta ao nível do bem estar animal, é um canil intermunicipal”, lamentou Maria Rola.

Durante a visita, a deputada apontou “vários problemas” para discordar da construção de uma infraestrutura que vai abranger os cinco concelhos do Litoral Alentejano.

A falta de proximidade com as populações, tendo em conta a dispersão do território alentejano é um dos problemas que antevemos e ao centralizarmos tudo numa só resposta vai prejudicar outros concelhos como Sines e Grândola que não têm canil municipal e vão continuar a ficar distantes desta resposta”, adiantou a deputada do Bloco de Esquerda que comparou o nível de “investimento público” da Câmara de Santiago do Cacém “no apoio às touradas” com “o investimento nos centros de recolha” que tem sido “muito menor”.

Para além de criticas às políticas públicas, a deputada que esteve reunida com responsáveis da Associação São Francisco de Assis, lamentou ainda a falta de apoio às associações de bem estar animal “que vão fazendo o trabalho de entrega dos animais para adoção” apesar do “pouco apoio da própria câmara”.

Foi-nos dito que ao nível de parceria e de algum apoio financeiro à atividade não tem sido dado e relembro que esta associação tem também um espaço de recolha de animais, que é competência da Câmara, sem qualquer retorno”, denunciou a bloquista que lamenta a “falta de reconhecimento” por parte da autarquia para o trabalho que a associação tem vindo a fazer.

Quanto ao resto do país, Maria Rola reconhece que “o panorama não é muito promissor” no que respeita às políticas para o bem estar animal e identifica “um grande atraso ao nível das políticas públicas”.

Há algumas regiões que já vão tendo e que têm estado a responder à legislação que foi agora implementada mas há muitos municípios que se desresponsabilizam tal como o de Santiago do Cacém”, lembrando as linhas de apoio entretanto disponibilizadas pelo Governo, em face da nova lei, para a melhoria dos centros de recolha oficial e esterilização dos animais.

“De qualquer forma os municípios não podem estar somente a aguardar pelo cheque em branco que lhes possa ser passado pela administração central mas ter políticas próprias e orçamento local que possa dar resposta a estas necessidades”, concluiu a deputada do Bloco de Esquerda que defende a construção de um centro de recolha por concelho.

Recorde-se que o fim do abate de animais errantes foi aprovado pelo parlamento em junho de 2016 e que a lei dava um prazo de dois anos para que os Centros de Recolha Oficial de Animais estivessem aptos a cumprir a proibição do abate dos animais.

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