Dia Internacional da Família: Aumentam casais sem filhos e pessoas a viverem sós

familia numerosaEstão a aumentar os casais sem filhos, as famílias monoparentais e as pessoas a viverem sós. Ao mesmo tempo, nos últimos anos, acentuaram-se as mudanças relativamente à vida em casal, com o aumento das uniões de facto, dos nascimentos fora do casamento e dos divórcios seguidos de novas uniões. São mudanças assinaladas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

 

Catarina Silva

O INE lançou na última quarta-feira, véspera do dia Internacional da Família, a publicação “Família nos Censos 2011: diversidade e mudança”, em colaboração com o Observatório das Famílias e das Políticas de Família do Instituto de Ciências Sociais.

O casal continua a ser a forma predominante de organização familiar, mas o seu peso recuou, em particular o dos casais com filhos.

Por outro lado, atualmente um quinto das famílias são constituídas por pessoas sós: em 2011 as famílias unipessoais representavam 21,4%. do total de famílias em Portugal. Neste universo, a maioria são idosos e mulheres.

Olhando para aqueles com três ou mais filhos, a queda foi em ritmo acelerado entre 2001 e 2011. O INE registou menos 60 mil famílias numerosas. São agora pouco mais de 154 mil, representando menos de 5% dos núcleos familiares.

Em contrapartida, ganharam importância os casais sem filhos e as famílias monoparentais. Em 2011, 14,9% das famílias eram constituídas por pai ou mãe sós com filhos. Vinte anos antes, em 1991, havia apenas 9,2% de famílias nesta situação.

Também o número de pessoas que vivem sozinhas tem aumentado de forma continuada em todos os grupos etários acima dos 15 anos. O valor praticamente duplicou entre 1991 e 2011, quando totalizavam quase 867 mil, correspondendo a 8% do total da população residente.

Segundo o INE, este aumento das pessoas sós resulta de vários factores, como o aumento da esperança média de vida, sobretudo para as mulheres, o facto de haver mais divórcios, menos casamentos e filhos.

Como principais diferenças entre 2001 e 2011 os investigadores constataram “um aumento dos níveis de escolaridade em todas as faixas etárias e um acréscimo de população ativa até aos 64 anos de idade, em percursos cada vez mais prolongados no mercado de trabalho”.