Joana Mortágua questiona Governo sobre dificuldades nas escolas rurais

A deputada do Bloco de Esquerda (BE) Joana Mortágua disse hoje que vai questionar o Governo sobre as dificuldades nas escolas rurais, como a falta de auxiliares e de resposta a necessidades educativas especiais, e o financiamento do ensino artístico.

Joana Mortágua, deputada do BE eleita pelo círculo de Setúbal, esteve ontem na Escola Básica Professor Arménio Lança, em Alvalade, no concelho de Santiago do Cacém, onde encontrou as “dificuldades” e “desafios” comuns à “escola pública no interior”, segundo disse à agência Lusa após a visita.

No estabelecimento de ensino, a deputada deparou-se com uma “população escolar a diminuir”, que leva a que sejam criadas “turmas mistas”, com alunos de diferentes anos do primeiro ciclo do ensino básico, algo com que não concorda, por considerar serem “pedagogicamente ineficientes”.

Além dessa situação, Joana Mortágua, que integra a Comissão Parlamentar de Educação e Ciência, encontrou outros “problemas muito característicos” de regiões em “depressão demográfica”.

“São escolas que têm o seu financiamento, o seu orçamento dependente do número de alunos. Ora, isto ignora que os custos fixos de manutenção da escola, todas as contas que são necessárias pagar ao final do mês mantêm-se, apesar da diminuição do número de alunos”, exemplificou.

A fixação de profissionais foi outra das dificuldades apontadas pela deputada, que disse haver “uma elevada percentagem de professores contratados e de professores que não se fixam”, o que considera prejudicar a “capacidade de acompanhamento dos alunos”.

“Os alunos estão por exemplo sem [aulas de] Francês desde o início do ano porque houve a necessidade de substituir a professora que entrou de licença e não foi possível até agora substituir essa professora, porque há uma dificuldade muito grande em fixar professores nestas zonas mais de interior, nestas zonas mais rurais”, argumentou.

Joana Mortágua quer, por isso, que o Ministério da Educação se debruce sobre a situação para encontrar os “estímulos que podem ser dados aos professores” para se fixarem em Alvalade.

O facto de a escola visitada hoje não ter uma “unidade multideficiência” também preocupou a deputada, que alertou para a “dificuldade em conseguir terapias” para os alunos.

“É a Cerci de Santiago que vai fazer terapias aos meninos que precisam na Escola de Alvalade, mas o tempo disponível é tão curto, que não conseguem, por exemplo, estar com uma criança todas as semanas”, lamentou.

A deputada do BE, que esteve também hoje em Sines, na Escola das Artes do Alentejo Litoral, lembrou que a “oferta educativa” artística “muitas vezes não é tão variada nestas regiões, como é nos grandes centros urbanos”, defendendo que “não é justo que assim seja”.

Joana Mortágua, que argumentou que as “zonas deprimidas tendem a que o investimento público seja mais necessário para conseguir manter as populações”, disse que vai questionar o Governo sobre as dificuldades dos estabelecimentos de ensino em meios rurais e algumas questões concretas da escola de Alvalade.

A não colocação de auxiliares de educação em escolas com menos de 21 alunos e a resposta insuficiente em termos de necessidades educativas especiais em Alvalade são algumas das questões que vão ser remetidas ao Governo, que a deputada pretende ainda questionar a propósito do “novo modelo de financiamento do ensino artístico”.

“Foi uma promessa deste Governo, uma nova forma de calcular as transferências para estas escolas de ensino artístico, e nós queremos saber com que critérios é que elas poderão vir a ser recalculadas de forma a beneficiar estas escolas, sobretudo nestes territórios em que elas desempenham um papel tão importante”, concluiu.

Fonte: Lusa

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