Manifestantes aprovam moção e exigem reversão do encerramento de unidades no HLA

Uma centena de manifestantes, entre eles utentes, enfermeiros, sindicalistas e autarcas participaram, esta terça-feira, na manifestação convocada pela Comissão de Utentes do Litoral Alentejano e pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, para impedir o encerramento das Unidades de Paliativos e de Convalescença no Hospital do Litoral Alentejano por falta de profissionais.

Dinis Silva, porta-voz da Comissão de Utentes do Litoral Alentejano, diz que os protestos não devem culminar com esta manifestação e, se necessário, os utentes deslocam-se até Lisboa para “evitar o encerramento” destes serviços. “Deve haver melhorias no Hospital do Litoral Alentejano e estes serviços devem continuar assim como temos de exigir a melhoria e mais valências” e “evitar que os 25 utentes da Unidade de Convalescença se desloquem para outras unidades espalhadas no país” que fazem parte da Rede de Cuidados Continuados. “Seria um crime se tivessem de fechar a Unidade de Convalescença”, acusa o dirigente.

Antónia Maria, 75 anos, natural da Sonega, Santiago do Cacém, está internada na Unidade de Convalescença há mais de um mês após uma operação à anca. Fez questão de estar presente no protesto para alertar para a “injustiça” que representa o encerramento daquele serviço.

“Não há motivo para fechar aquela unidade porque têm todas as condições para tratar dos utentes, com profissionais competentes e bom equipamento”, lamenta a idosa que partilha a unidade com mais utentes. “Estou com mais pessoas na unidade mas não puderam vir porque estão na cama ou na cadeira de rodas. Estou revoltada com esta situação que já fez com que uma senhora tenha sido transferida para São Brás de Alportel [Faro] e outra utente das Relvas Verdes [Santiago do Cacém] que vai ser transferida para muito longe”, adiantou. 

Para o presidente da Câmara de Santiago do Cacém, que também participou na manifestação, trata-se de um problema “crónico” que persiste num hospital com apenas treze anos de existência. “Várias vezes a população e os autarcas tiveram de recorrer a este tipo de iniciativa para reivindicar um direito que assiste a todos”, afirmou. Para Álvaro Beijinha, esta é uma “situação emergente” porque se tratam de unidades importantes, cujo encerramento “resultam  de um problema estrutural” do Hospital do Litoral Alentejano.

“Há falta de financiamento e nesta região temos o mais baixo rácio de financiamento por habitantes em todo o país e, nesse sentido, não há meios financeiros para que este hospital funcione corretamente”, considera o autarca que aponta o dedo à tutela. “Há um garrote ao nível do Ministério das Finanças que não permite a abertura de concursos e a contratação de profissionais de saúde”, concluiu o autarca que reúne, esta quarta-feira, com o presidente da Administração Regional de Saúde do Alentejo e com o presidente do Conselho de Administração da ULSLA.

Na manifestação foi aprovada uma moção a exigir a reversão imediata do possível encerramento destas unidades.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*