Manifestantes entregaram balões brancos e uma moção ao Conselho de Administração da ULSLA

Um total de cem balões brancos a simbolizar o número de enfermeiros em falta na Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA) foram entregues, esta quinta-feira, ao Conselho de Administração da ULSLA, durante uma concentração para exigir a contratação de mais profissionais de saúde no Litoral Alentejano.

A manifestação, a terceira convocada pelas Comissões de Utentes do Litoral Alentejano e Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), desde outubro do ano passado, contou com a participação de cerca de cem pessoas, entre utentes, autarcas e profissionais de saúde, que se concentraram em frente ao Hospital do Litoral Alentejano, em Santiago do Cacém.

Envergando cartazes a exigir mais enfermeiros e mais serviços de saúde no Litoral Alentejano, os manifestantes entoaram gritos de protesto para mostrar a sua indignação pela não contratação de enfermeiros, médicos e auxiliares de saúde em número suficiente. “É preciso que isto mude, enfermeiros para a saúde” e “Adalberto escuta, o litoral está em luta”, foram algumas das palavras de ordem.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses está preocupado com os efeitos que a entrada em vigor das 35 horas semanais vai provocar nos cuidados de saúde à população.

“Faltam cem enfermeiros na ULSLA e neste momento estão a encerrar camas em alguns serviços, como os de medicina e de cirurgia e na Unidade de Convalescença, mas quando entrar em vigor as 35 horas semanais esta situação vai piorar porque a acrescentar ao número em falta, vão ser necessários mais 35 enfermeiros”, afirmou Luis Matos, dirigente do SEP e enfermeiro na unidade de saúde do litoral alentejano.

“Os doentes não deixam de entrar mas serão sujeitos a cuidados de pior qualidade porque têm o mesmo número de enfermeiros para cuidar do mesmo número de pessoas em condições bastante degradadas, em corredores dos serviços de urgência, uma vez que não há vagas e os serviços estão fechados”, acrescentou.

A conclusão das obras de ampliação do serviço de urgência, prevista para outubro, também traz preocupações ao dirigente sindical que aponta para a necessidade de contratação de “mais de 10 enfermeiros para colmatar o aumento das valências e do número de postos de trabalho” embora “não se veja qualquer intenção do Governo em resolver o problema”, criticou. 

“Já ouvimos falar em mais 20 funcionários, entre enfermeiros, assistentes operacionais e assistentes técnicos, para esta unidade mas se só em enfermeiros faltam cem, é claramente insuficiente e não vemos solução à vista”, lamentou Luís Matos, um dos trezentos enfermeiros que prestam serviço no HLA.

“Os enfermeiros estão cansados, os assistentes operacionais estão exaustos, os médicos são poucos para cerca de cem mil utentes, algumas extensões de saúde estão degradadas, é inadmissível algumas localidades só terem direito a cuidados médicos de quinze em quinze dias e é intolerante que a urgência pediátrica do Litoral Alentejano não seja assegurada diariamente por médicos especialistas em pediatria, sendo as crianças observadas por médicos indiferenciados”, referiu Dinis Silva, porta-voz das Comissões de Utentes do Litoral Alentejano que criticou o desinvestimento cada vez mais acentuado no Serviço Nacional de Saúde.

“Há utentes que esperam por uma consulta de otorrino há mais de 510 dias”, exemplificou o dirigente que considerou ainda “inaceitável” a “contratação externa” de serviços como a imagiologia, análises clínicas, cardiologia e oftalmologia. “O Governo e o Conselho de Administração afirmam que não há dinheiro para a contratação de profissionais de saúde quando existem serviços que funcionam através de contratação externa”, denunciou.

Para o presidente da Câmara de Santiago do Cacém, Álvaro Beijinha, também presente na manifestação, trata-se de um problema que tem vindo a agravar-se nos últimos meses e que põe em causa a saúde das populações.

“Não podemos aceitar que o financiamento por número de habitantes no Litoral Alentejano seja dos mais baixos do país quando, além dos 100 mil residentes e de uma zona de risco, devido ao complexo industrial de Sines, existe um conjunto muito significativo de trabalhadores que apesar de não terem aqui a sua residência, recorrem a esta unidade em caso de necessidade, assim como os cerca de mil reclusos da prisão do Pinheiro da Cruz e o número de turistas que visitam a região durante o período do verão quase duplica e que não são contabilizados nos rácios”, frisou o autarca que lamentou a falta de resultados dos encontros oficiais para sensibilizar os membros do Governo para a questão da degradação dos serviços de saúde na região.

Para além da melhoria nos cuidados de saúde, os utentes exigiram também a construção do novo Centro de Saúde em Santiago do Cacém, a reparação urgente da extensão de saúde de Vila Nova de Santo André, a construção das extensões de saúde em Palma (Alcácer do Sal), Melides (Grândola) , Saboia e Vila Nova de Milfontes (Odemira).

“Vamos entregar formalmente uma moção ao Conselho de Administração para fazer chegar ao Governo as nossas preocupações e esperamos que as nossas reivindicações sejam atendidas e que se avance com a contratação destes cem enfermeiros e dos restantes profissionais em falta”, concluiu Dinis Silva.

A ação de luta, resultou na aprovação de uma moção a exigir a contratação imediata e com vinculo definitivo de enfermeiros e outros profissionais de saúde; o restabelecimento da totalidade de vagas dos vários serviços de internamento; o aumento do financiamento da ULSLA e a adequação do mapa de pessoal às reais necessidades e o cumprimento dos tempos máximos de resposta nas consultas e cirurgias das especialidade médicas e cirúrgicas.

O documento será entregue ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ao Primeiro-Ministro, António Costa e ao Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.

 

 

 

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