Meia centena de pessoas dizem não ao furo na costa alentejana

Cerca de 10 mil passos foram dados este domingo durante uma caminhada que se realizou em Sines contra a prospeção e exploração de petróleo ao largo de Aljezur.

A iniciativa intitulada ‘Caminhar pelo Mar’, promovida pelo movimento Alentejo Litoral pelo Ambiente (ALA), contou com a participação de mais de meia centena de pessoas que percorreram a via da costa de norte, em Sines.

“Não acho bem que se avance com a exploração de petróleo na nossa costa porque sou neta, filha e mulher de pescadores e entendo que se avançar só vai estragar a costa e o nosso peixe e portanto sou contra. Toda a gente aqui de Sines devia mobilizar-se para não deixar isto ir para a frente”, apelou Luísa Paixão, uma das participantes.

Tratou-se da segunda caminhada no espaço de dois dias – no sábado realizou-se uma iniciativa do género em Aljezur – para alertar a população para as consequências de um furo na bacia do Alentejo.

“As pessoas estão alerta e perceberam que aquilo que aconteceu nos últimos meses e semanas não pode passar despercebido e que é preciso mostrar a força e o descontentamento em relação à atual situação”, adiantou Eugénia Santa Bárbara, do movimento ALA que promete não baixar os braços.

“Apesar de tudo indicar que o processo vai mesmo para a frente, vamos continuar a fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para haver um recuo na decisão”, garantiu depois de, na última semana, ter sido conhecida a decisão da Agência Portuguesa do Ambiente de dispensar de Estudo de Impacte Ambiental a prospeção de petróleo ao largo de Aljezur pelo consórcio Eni/Galp.

“Há imensos impactos ambientais associados não só a este furo de prospeção e este é só o principio de um processo que pode conduzir à exploração e ao desenvolvimento desta atividade e chegando a este ponto é muito difícil recuar, porque há muito dinheiro investido”.

O impacto que uma possível exploração de petróleo pode vir a ter para o desenvolvimento do surf na região foi o que levou Fernando Borges a participar nesta ação. “Estou preocupado e sinto-me triste enquanto surfista há trinta anos se este processo avançar porque estamos numa zona perfeita para a aprendizagem do surf que é um chamariz para uma grande quantidade de turistas e que provavelmente tudo isso pode vir a acabar e não posso ver isto com bons olhos”, lamentou o surfista, aludindo igualmente para os efeitos da construção do futuro Terminal Vasco da Gama no porto de Sines.  

Para Eugénia Santa Bárbara, “0 Governo já teve vários momentos em que podia anular os contratos, as autarquias estão todas contra o processo, há oposição das populações e dos movimentos ambientalistas e ainda assim vão avançar contra duas regiões, a do Algarve e do Alentejo Litoral”, criticou a dirigente que fala mesmo numa “espécie de grande amizade” entre o Governo e o consórcio Eni/ Galp.

“Por isso é que recentemente exigimos a demissão do Ministério do Ambiente que, ao ser chamado pela primeira vez a pronunciar-se sobre esta matéria, decide favoravelmente”, lamentou.

De acordo com Eugénia Santa Bárbara, em causa está um furo de prospeção “com cerca de 3 mil metros de profundidade” idêntico “ao furo que estava a ser feito no Golfo do México que deu origem aquele acidente ambiental”.

Em Sines “está tudo preparado para o furo avançar”

De acordo com a ambientalista, na cidade de Sines vai ficar localizada a base logística da operação. “O heliporto sofreu algumas obras para operarem dois helicópteros ao mesmo tempo. Quando avançarem também vamos ter aqui mais movimento aéreo”, alertou. Além disso, acrescentou, “cerca de três mil metros de tubos estão no outro lado do porto a aguardar o início do processo que, segundo a Agência Portuguesa do Ambiente, pode avançar a partir de 15 de setembro” na área “offshore” denominada bacia do Alentejo, a 46 quilómetros de Aljezur.

A fase de preparação decorrerá numa base logística, em Sines, situada a aproximadamente 88 quilómetros do local da sondagem.

 

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