Meia centena pede fim de transporte marítimo de gado para Médio Oriente

Pouco mais de 50 pessoas pediram ontem, em Lisboa, o fim do transporte marítimo de gado de Portugal para o Médio Oriente, invocando maus-tratos infligidos aos animais.

Os manifestantes perfilaram-se em frente ao Ministério da Agricultura, na Praça do Comércio em Lisboa, empunhando fotografias de bezerros e vacas enjaulados e com feridas, ao mesmo tempo que gritavam, monocordicamente, “animais para o Oriente nunca mais” e “animais não são mercadoria”.

No centro do protesto, organizado pela Plataforma Antitransporte de Animais Vivos, alguns dos participantes representavam animais com sede e fome num barco. Um cartaz referia que “no embarque bezerros são agredidos com paus, pontapés e bastões elétricos”.

À Lusa, a porta-voz da plataforma, Isabel Carmo, disse que tais agressões acontecem nos portos de Sines e Setúbal, de onde saem todos os meses navios internacionais com gado para países como Israel.

“Há animais que, inclusive, viajam feridos, com os cornos partidos. Depois da viagem, ficam moribundos, muitos morrem. Há animais que chegam [ao destino] cegos porque são mutilados pelos cornos dos outros animais, não têm espaço”, descreveu, queixando-se da falta de apoio médico veterinário.

A Plataforma Antitransporte de Animais Vivos reuniu-se em agosto com o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, que se mostrou “bastante recetivo” sobre a questão, mas ainda aguarda medidas concretas, como a proibição do transporte de animais vivos para países que “não respeitem normas de bem-estar” e uma maior fiscalização por parte da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária nos portos portugueses.

O movimento lançou uma petição pelo fim do transporte marítimo de animais vivos para países fora da União Europeia, que conta com mais de 7.000 assinaturas, precisou Isabel Carmo.

A deputada do BE Maria Manuel Rola, que participou no protesto, considerou “inaceitável a falta de resposta por parte do Governo”, adiantando que o partido está a preparar uma iniciativa legislativa que tenciona apresentar até ao início do próximo ano e que “regulamente as viagens de longo curso” de animais e aperte a fiscalização das condições em que é feito o transporte.

Segundo a Plataforma Antitransporte de Animais Vivos, o transporte marítimo de gado faz-se de Portugal para o Médio Oriente e Norte de África desde 2015.

As viagens deveriam, em regra, demorar seis dias, mas chegam a ser de um mês, de acordo com a organização.

Fonte: Lusa

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