População do Lousal vai participar na criação de uma instalação artística na aldeia mineira

A população da aldeia mineira do Lousal, em Grândola, vai ser convidada a participar na conceção de arte pública, ao abrigo de um protocolo celebrado esta quinta-feira entre o município e a Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL).

“Queremos implementar um projeto de arte pública, num processo participativo e envolvendo a comunidade local, tendo a mais valia de fornecer ferramentas aos alunos da academia no mundo real”, sublinhou Sérgio Vicente, escultor e docente da FBAUL durante a apresentação do projeto.

A ideia vai ser implementada em duas etapas sendo que, a primeira, arranca com o “envolvimento dos alunos” da faculdade “no terreno”, com o objetivo de “recuperar memórias espaciais, num trabalho de aprendizagem comum, pondo as pessoas a participar no ato criativo com os artistas”, explicou o docente aos jornalistas.

“Trata-se de um projeto de arte pública, em constante construção que, ao longo do tempo, vai sendo trabalhado com as populações” ajudando a que “a escultura pública seja muito mais do que um objeto comemorativo e seja imperativo para o desenvolvimento cultural das regiões e na construção da história daquele local”, acrescentou. 

Numa segunda fase, da implementação do projeto, o coletivo irá, em várias sessões, negociar os termos e as condições para avançar com o trabalho artístico. “É um projeto em aberto, não sabemos em que terreno vamos trabalhar e quais as suas dimensões”, acrescentou o responsável da Faculdade de Belas Artes que, nos últimos anos, tem concretizado projetos semelhantes um pouco por todo o país.

“A última experiência do género foi em Almada, que culminou com a instalação de um monumento à multiculturalidade, que envolveu cerca de setenta pessoas”, acrescentou.

Vítor Reis, presidente da Faculdade de Belas Artes, realçou a natureza especifica do projeto e parabenizou a Câmara de Grândola por ter “percebido que o processo é crucial”. “É sempre difícil quando não estamos a ver o resultado final acreditar ou apostar nele e até considerar que vale a pena e, em primeiro lugar, o que vale a pena é o processo”.

O responsável reconhece que “não é fácil para a academia sair fora de portas e, infelizmente, tem um longo historial de estar fechada sobre si própria”. No entanto, acrescenta, “as gerações mais novas têm o objetivo de sair fora de portas e viver no mundo real, criando parcerias com outras entidades”. Para António Figueira Mendes, presidente da Câmara de Grândola, tratou-se de “um namoro” que culminou com a celebração “do matrimónio” tendo em conta a preocupação do município que “não quer deixar morrer o Lousal e as suas memórias”.

“Queremos tornar a arte popular” e, neste caso, “temos expectativas em relação à integração da comunidade” do Lousal. “Creio que do ponto de vista social é um processo que nos deixa grandes expectativas”, acrescentou o autarca. 

Para já, de acordo com as duas entidades, a Câmara compromete-se, na primeira fase, a assegurar o apoio logístico e a negociar os valores para desenvolver o projeto de escultura. “Vai ser feito de acordo com as possibilidades da Câmara de Grândola”, garante Sérgio Vicente que aponta para a concretização do projeto no espaço de um a dois anos.

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