Presidente da Liga dos Bombeiros critica legislação “confusa” e sem aplicação no terreno

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares disse hoje, em Cercal do Alentejo, que a classe política só “se lembra de Santa Bárbara quando está a trovejar”, referindo-se à tragédia de Pedrógão Grande. 

O responsável, que falava à margem da cerimónia de aniversário dos Bombeiros Voluntários de Cercal do Alentejo, disse que a tragédia de Pedrogão Grande está a ser utilizada para aproveitamento politico quando na verdade os partidos deviam estar mobilizados para encontrar soluções que evitem novas tragédias.

“Deviam estar todos juntos a procurar soluções importantes e aplicáveis no terreno em respeito à memória daqueles que pereceram no terreno e em grande respeito aos familiares”, adiantou Marta Soares que aproveitou para criticar uma legislação “confusa” feita “a correr” e “em cima do joelho ” e que na maioria dos casos “não se aplica”.

 

Em declarações à rádio Miróbriga,  o responsável lembrou que o país não pode continuar a ter “uma floresta  desprogramada, selvagem e sem prevenção”. “Os problemas podem resolver-se com uma gestão rigorosa e um investimento que é recuperável (…) e a floresta deve ser aproveitada e ser o nosso petróleo verde”, acrescentou.

 

O presidente da Liga, que dá o exemplo do abandono dos terrenos do Estado para exemplificar “a incapacidade” do Governo na gestão da floresta, diz que não é necessário “andar a correr” para aplicar nova legislação no setor mas desenvolver “um trabalho de sensibilização” junto da sociedade portuguesa e tratar a floresta como se tratam as zonas urbanas.

“São reformas estruturais que demoram muitos anos a fazer e, quando se passam anos sem que nada tenha sido feito, torna-se mais difícil porque a floresta está mais abandonada do que estava há 30, 20 ou 10 anos atrás.  Não se sabe a quem pertence grande parte da nossa floresta porque não se fez o cadastro e uma floresta sem ser cadastrada, não se sabendo de quem é a propriedade não se pode fazer o emparcelamento”, defendeu.

 

Critico em relação ao Banco de Terras, aprovado recentemente no âmbito da nova reforma da floresta, Jaime Marta Soares defende “uma lei expropriante”.

“Pode fazer-se perfeitamente sem ter de se tirar as terras a ninguém, identificá-las, valorizá-las para, quando o seu proprietário aparecer, dar-lhe o valor do seu rendimento através de uma lei expropriante que permite utilizar esse terreno em torno de um espaço maior. Não podem assacar as culpas para cima dos proprietários quando foi o Estado que esteve adormecido e não soube fazer, em tempo oportuno, o cadastro das propriedades”, criticou.

 

Para o presidente da LBP o Ministério da Agricultura tem “uma visão retrógrada” sobre a floresta e exemplo disso é o chumbo ao projeto da liga para a criação de um Observatório Nacional para os Incêndios Florestais.

 

Jaime Marta Soares participou na cerimónia do 42º aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Cercal do Alentejo que contou também com a presença do presidente da Federação de Bombeiros do distrito de Setúbal e do Comandante Operacional distrital, Elísio Oliveira.

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