PS pede esclarecimentos sobre incêndio no aterro de resíduos industriais perigosos em Santo André

A bancada socialista na Assembleia Municipal de Santiago do Cacém pediu esclarecimentos ao executivo camarário (CDU) sobre o incêndio que deflagrou em setembro no aterro de resíduos industriais perigosos na freguesia de Santo André.

Considerando ser “praticamente impossível haver um incêndio numa célula de retenção de lamas oleosas”, o porta-voz do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Santiago do Cacém, Cascão da Silva, diz-se surpreendido com a utilização dada às bacias de retenção.

“Estava convencido que era praticamente impossível haver um incêndio numa célula de retenção de lamas oleosas que [uma vez depositadas] secaram, são uma massa sólida com um ponto de ignição extremamente alto”, alerta.

Na altura, em declarações à Miróbriga, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Santo André deu conta que a bacia seria utilizada para depósito de materiais inflamáveis como “colchões velhos, lã de vidro, óleo e restos do que não ardeu”, no grande incêndio da Recipneu, em outubro de 2017.

“Estão a utilizar as bacias de retenção para armazenar de tudo, desde colchões até restos de queima da Recipneus e isto, em nosso entender, é perfeitamente inaceitável”, acrescentou Cascão da Silva.

Perante este cenário, a bancada socialista, que considera o aterro “um gigante adormecido” entende que o executivo CDU na Câmara de Santiago do Cacém “olhou para este assunto” de forma “muito leve”.

“Fiquei com a impressão que o executivo CDU da Câmara Municipal olhou para este problema muito ‘ao de leve’, com duas noticias nas rádios locais, a câmara não deu informação, ficou quietinha e, nós [PS], já que temos dois aterros no concelho, acho que temos o direito de pedir à CDU que, ao menos, cuide bem deles”, defendeu.

No pedido de esclarecimentos, a bancada socialista, dirige um conjunto de questões ao presidente da Câmara de Santiago do Cacém com o objetivo de perceber “quais os procedimentos e práticas” da entidade gestora daquele aterro.

Cascão da Silva diz que deveria haver “uma atenção redobrada” do executivo municipal para evitar “acordar aquele gigante”.

“Não posso imaginar que bacias de retenção de lamas, com paredes de argila largas, para garantir a sua estanqueidade, tenham um incêndio e que seja lançado para o seu interior tudo aquilo que a entidade gestora não sabe onde colocar e depois hajam incêndios”, criticou.

Segundo Cascão da Silva, aquelas lamas “dificilmente se incendiarão mas incendeiam-se” e quando isto acontece “passa a líquido aquilo que é sólido, enquanto hidrocarbonetos, e a gás e é extremamente difícil de atacar, assim como os resíduos da Recipneus que lá foram colocados”.

“Acho que deveria um cuidado extremo da entidade gestora do aterro e uma atenção redobrada da CDU, enquanto executivo municipal , para ter a garantia de que os procedimentos e práticas naquele aterro não acordam o tal gigante perigoso que ali está”, referiu.

No documento, apresentado na última reunião da Assembleia Municipal de Santiago do Cacém, a bancada do PS quer saber se a entidade gestora do aterro tinha informado previamente a Câmara Municipal da utilização de bacias de retenção para armazenar os materiais listados pelo comandante dos Bombeiros Voluntários de Santo André e se a autarquia tem conhecimento do armazenamento de outros materiais na mesma ou noutras bacias.

Os socialistas querem ainda saber se a Câmara Municipal foi informada pela entidade gestora do aterro sobre uma eventual investigação ao incidente e se foi produzido algum relatório identificando as causas de raiz e as eventuais medidas corretivas.

“Em termos de ambiente e de segurança é prática corrente, quando existe um acidente, nomear-se uma comissão de investigação que tem como objetivo principal identificar as causas e avançar para medidas corretivas na perspetiva de evitar a recorrência de acidentes deste tipo no aterro”, afirmou.

A bancada do Partido Socialista questiona ainda se a Câmara Municipal de Santiago do Cacém teve conhecimento de alguma análise de riscos prévia à decisão de armazenar estes produtos, se o sistema de ‘overflow’ de pluviais foi danificado no combate ao incêndio e, em caso afirmativo, quando fica operacional.

No documento, os deputados socialistas querem ainda saber se houve algum derrame de águas contaminadas no solo exterior às bacias, em resultado do ataque ao incêndio, e se a integridade das paredes isolantes de argila nessa ou noutras bacias ficou danificada devido ao incêndio ou ao combate.

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