Sines: Quercus alerta para “degradação ecológica” da Lagoa da Sancha

quercusA Quercus considerou hoje “urgente impedir a degradação ecológica” da Lagoa da Sancha, na reserva natural que inclui a Lagoa de Santo André, e defendeu a adoção de medidas de gestão para aquela área protegida do litoral alentejano.

O alerta da associação ambientalista Quercus surge a propósito do 14.º aniversário da criação da Reserva Natural das Lagoas de Santo André e Sancha (RNLSAS), que se assinala hoje.

Segundo os ambientalistas, a RNLSAS, nos concelhos de Santiago do Cacém e Sines, no litoral alentejano, “tem sido afetada por vários fatores que perturbam o seu ciclo natural”.

A “proliferação das espécies vegetais exóticas invasoras, como o chorão e as acácias, assume particular gravidade neste espaço natural”, indicam.

A própria Lagoa da Sancha, outrora “um importante local para a nidificação de várias espécies de aves”, está atualmente “em degradação acelerada”, pelo que é “urgente impedir” a sua “degradação ecológica”.

O assoreamento, a expansão descontrolada do caniço e das acácias e a fraca qualidade da água são razões apontadas pela Quercus, para o atual estado da Lagoa da Sancha.

Para a associação, é “muito urgente a realização de ações de restauro da laguna costeira e da linha de água que a ela aflui”, sob pena de ser comprometida, “de forma irreversível”, o seu valor ecológico.

Na RNLSAS, existe também “alguma pressão turística”, com a realização de “atividades de lazer e recreio, como passeios pedestres e passeios a cavalo, que podem levar à destruição da vegetação dunar”.

Por isso, lembrando que a criação da área protegida visou “a conservação do elevado valor ecológico destas duas zonas húmidas e das suas zonas envolventes”, nomeadamente no que toca às aves, a Quercus exige a adoção de “medidas de gestão” direcionadas para a “manutenção e recuperação dos diferentes habitats” locais.

O objetivo, continua a associação em comunicado, é “permitir a conservação das aves associadas” a cada um dos habitats, como são os casos das aves aquáticas e dos passeriformes migradores”.

Além disso, realça, “é necessário manter o controlo do regime hídrico das lagoas e melhorar a qualidade da água, procurando resolver o problema das descargas de efluentes provenientes das suiniculturas e do que ainda resta dos resíduos de hidrocarbonetos que foram depositados numa saibreira junto aos limites da reserva”.

A Quercus considera também “essencial” condicionar “ainda mais” a atividade piscatória e “criar um programa de controlo continuado de espécies vegetais exóticas invasoras”.

“É importante continuar a evitar o crescimento urbanístico na reserva e sua envolvente e ordenar as práticas de turismo, continuando a apostar na criação e na sinalização de percursos pedestres e no turismo de natureza especialmente vocacionado para a observação de aves”, reclama igualmente a Quercus.

A RNLSAS tem cerca de 5.370 hectares e é constituída, sobretudo, por ecossistemas litorais, circundados por ecossistemas aquáticos e ribeirinhos influenciados por águas doces e salobras.

A vegetação é um dos seus valores naturais mais importantes – estão inventariadas cerca de 510 espécies de plantas vasculares -, e, em termos de fauna, a Lagoa de Santo André situa-se entre as mais importantes zonas húmidas nacionais para as aves.