Setúbal: Petição defende partos na água no Hospital São Bernardo

Um grupo de mulheres reuniu já 2.430 assinaturas pela manutenção dos partos na água no Hospital São Bernardo, em Setúbal, após um parecer negativo da Ordem dos Médicos, disse hoje à Lusa Renata Ribas, uma das promotoras da petição.

Renata Ribas, assegura que as promotoras da petição pretendem que as diferentes entidades nacionais se pronunciem, com base em evidências científicas fundamentadas em práticas em diversos países de todo o mundo.

A Administração do Centro Hospitalar de Setúbal, que engloba o Hospital do Outão e o Hospital São Bernardo, nada diz sobre os partos na água, mas, perante as posições contraditórias da Ordem dos Médicos e da Ordem dos Enfermeiros, esta última favorável aos partos na água, solicitou orientações à Direção-Geral de Saúde, estando a aguardar resposta.

O parecer desfavorável da Ordem dos Médicos, divulgado no passado mês de maio, refere que “não existem evidências científicas que validem a segurança e a eficiência deste tipo de procedimento (partos na água), particularmente no que diz respeito ao recém-nascido”.

Contrariando o que refere o parecer dos médicos, o presidente da Mesa do Colégio de Saúde Materna e Obstétrica da Ordem dos Enfermeiros, Vítor Varela, garante que há “muitas vantagens para as mulheres, com partos mais rápidos e tranquilos, que também beneficiam os bebés que estão prestes a nascer”.

Por outro lado, Vítor Varela estranha que a Ordem dos Médicos tenha ignorado outra literatura favorável aos partos na água, tanto nos Estados Unidos como na Europa, “baseando o parecer desfavorável num parecer norte-americano publicado pela primeira vez em 2005, que depois foi revisto em 2012 e 2014, mas que tem sido contestado por muitos obstetras e pediatras norte-americanos”.

Para o responsável, o parecer negativo da Ordem dos Médicos aos partos na água “tem a ver com o facto de serem os enfermeiros especialistas de saúde materna e obstetrícia, e não os médicos, a controlar, com total autonomia, este tipo de parto normal”.

Fonte: Lusa