Sines: Ópera sem vozes alerta para destruição da Síria

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créditos* Festival Terras Sem Sombra

O massacre do povo sírio, o êxodo de milhões e a destruição de obras de arte e de museus foram relembrados, numa ópera sem vozes que se realizou em Sines, no âmbito do Festival Terras Sem Sombra (FTSS).

Três criadores que ostentam os prémios nacionais espanhóis de design, composição e interpretação musical reuniram-se para o único espetáculo multimédia sem vozes que o Festival Terras Sem Sombra ofereceu este ano na sua programação musical.

A ópera Sempre/Ainda’, levou ao palco do auditório do Centro de Artes de Sines, no passado sábado, o galardoado pianista Juan Carlos Garvayo que, num diálogo com as imagens, inspiradas por pinturas de Alberto Corazon, um dos últimos europeus a visitar a Síria, interpretou a música do compositor Alfredo Aracil.

créditos* Festival Terras Sem Sombra
créditos* Festival Terras Sem Sombra

Além do desafio, o concerto é para o artista, que participou pela primeira vez no FTSS, um testemunho atual da destruição da civilização. 

“Todas estas coisas que são relatadas nos textos de Alberto Corazon, durante a sua permanência em Damasco, no Museu Arqueológico Nacional, são preocupantes quando falamos de uma cultura e de um património tão rico para a civilização”, adiantou Juan Carlos Garvayo.

O concerto tem como pano de fundo a tragédia na Síria ou não fosse este um festival de causas. 

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créditos* Festival Terras Sem Sombra

“A reflexão que é feita aqui parte da destruição e da pilhagem do património que é do interesse para toda a humanidade mas é também o tentar dar voz a quem a perdeu e já não se consegue fazer ouvir. O que se passa atualmente é um verdadeiro escandalo e é algo que nos obriga a uma reflexão profunda para que rapidamente se consiga uma solução para este gravíssimo problema”, sublinhou José António Falcão, diretor-geral do FTSS.

Na sua 12ª edição, o Festival Terras sem Sombra que reúne o património, a música e a biodiversidade, num vasto programa de oito concertos, percorre o alentejo com o objetivo de dar a conhecer ao público alentejano a música sacra e erudita.

Este ano o festival ensaia a possibilidade de redescobrir o valor da ópera no alentejo que, há mais de um século não se fazia ouvir nestas paragens, e, para combater esta assimetria cultural, conseguimos com que os recintos como as igrejas históricas possam receber programações que venham colmatar esta lacuna”, adianta.

créditos Festival Terras Sem sombra
créditos* Festival Terras Sem Sombra

O festival, que procura envolver o público com os artistas, promove igualmente ações de caráter ambiental. Em Sines, a ação desenrolou-se na costa norte com a recolha de lixo e de monitorização da orla costeira, no domingo, 13 de março.

O próximo concerto está marcado para o próximo dia 2 de abril, na Igreja Matriz, em Santiago do Cacém.

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