Todas as corporações de bombeiros do litoral alentejano aderiram ao protesto da Liga

A “grande maioria” das corporações de bombeiros do distrito de Setúbal aderiu ao protesto da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) que ontem impeliu as suas associadas a suspenderem o envio de informações para a Autoridade Nacional de Proteção Civil.

O presidente da Federação dos Bombeiros do distrito de Setúbal, João Ludovico, adiantou que “de um total de 25 corporações” de bombeiros, “dezanove aderiram ao protesto”.

“Neste momento temos mais de 76% de adesão e alguns casos pontuais no distrito que ainda estão a ser tratados internamente sobre a suspensão do envio de informação e outros dois casos, no distrito, que trabalham a nível municipal e não dão as informações diretamente ao Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) mas temos uma forte adesão do distrito”

Segundo João Ludovico, das 25 corporações existentes no distrito de Setúbal, “dezanove estão suspensas, 4 ainda não estão suspensas e 2 ainda estão a trabalhar no sistema municipal”.

No litoral alentejano, as oito corporações de bombeiros de Santiago do Cacém, Santo André, Alvalade, Cercal do Alentejo, Alcácer do Sal, Torrão, Grândola e Sines, não estão a reportar as ocorrências à Proteção Civil, adiantou João Ludovico.

“Todas as corporações do litoral alentejano aderiram [ao protesto] e registamos uma adesão de cem por cento”, acrescentou.

O presidente da Federação Distrital diz acreditar que a adesão das corporações ao protesto da Liga pode vir a aumentar nas próximas horas.

“Este número irá aumentar no dia de hoje porque há associações que ainda está a organizar-se da melhor forma, a nível interno, porque é um distrito com uma diversidade e dinâmica muito grande e temos de saber orientar as coisas”, realçou.

Desde domingo, quando o protesto teve início, que os bombeiros têm respondido a “todas as solicitações” e “pedidos de socorro”, seja a partir do 112 ou “através de contactos diretos para os quartéis”, por isso João Ludovico garante que “o socorro às populações não está em causa”.

“Se o CDOS receber um pedido de socorro e passar aos corpos de bombeiros, recebemos a chamada e saímos para prestar o socorro mas não damos informações sobre a saída das viaturas e o ponto de situação nas ocorrências”, acrescentou.

“Tratamos tudo de forma interna com uma entreajuda entre os corpos de bombeiros do distrito e quando houver necessidade de reforço de meios, os próprios bombeiros fazem a comunicação entre eles e com as restante entidades, como a GNR, mas o socorro à população nunca estará em causa”, garante.

A Federação dos Bombeiros do distrito de Setúbal realiza esta noite, no Quartel dos Bombeiros de Grândola, uma reunião “de âmbito distrital” onde será feito o balanço deste protesto e definidas orientações para a coordenação e articulação dos corpos de bombeiros do distrito de Setúbal.

A ausência de informação desde as 00:00 de domingo é uma das medidas de protesto da Liga de Bombeiros Portugueses contra a proposta do Governo para a nova lei orgânica.

Uma das novidades contestadas é a área de atuação dos CDOS deixar de corresponder aos distritos e passar a ter a abrangência das comunidades intermunicipais.

A LPB reivindica uma direção de bombeiros autónoma independente e com orçamento próprio, que diminua os custos e aumente a eficácia, um comando autónomo e o cartão social do bombeiro.

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