ULSLA: Médicos alertam para falta de médicos para formarem jovens licenciados

estetoscopioResponsáveis dos serviços de saúde do litoral alentejano alertam para o problema, ”tipo bomba-relógio”, de os médicos com capacidade para formar os jovens que saem das faculdades de Medicina estarem a caminho da aposentação.

Rita Paulo

Pedro Moreira, diretor da Unidade de Cuidados Intensivos do hospital integrado na Unidade local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA) confirmou à agência Lusa que “os médicos que se formaram nos anos 70, depois do 25 de Abril, estão a chegar à fase de aposentação”

Este facto, aliado ao congelamento da progressão nas carreiras dos últimos anos, pode levar a que os serviços de saúde fiquem sem médicos especialistas para formar os novos licenciados em Medicina, frisou o clínico, que é também responsável pelo internato médico hospitalar na ULSLA.

O problema, vai acentuar-se face ao aumento do número de recém-licenciados em Medicina, provocado pelo recente aumento de vagas nas universidades, determinado para responder à generalizada falta de médicos.

A medida poderia ser positiva para a ULSLA, pois, com o “excedente” de recém-licenciados, abriu-se as portas para que a sua formação seja feita em “hospitais periféricos”, como é o caso do Hospital do Litoral Alentejano, sustentou o responsável.

Contudo, a capacidade formativa daquela unidade é reduzida, devido à falta de médicos especialistas, e a limitação tende a agravar-se.

Em média, passam, pela ULSLA, 10 internos por ano. Segundo Mário Jorge, responsável pelo internato médico de cuidados de saúde primários e de Saúde Pública bastaria que a unidade tivesse dois pediatras, em vez de apenas um, para poder receber mais internos.

Atualmente, a ULSLA, que abrange os concelhos de Alcácer do Sal, Grândola, Odemira, Santiago do Cacém e Sines, pode dar formação apenas nas especialidades de Medicina Geral e Familiar, Saúde Pública, Medicina Interna, Cirurgia Geral e Ortopedia.