Unidade de Cuidados Paliativos do HLA assinala dez anos de existência

A Unidade de Cuidados Paliativos (UCP) do Hospital do Litoral Alentejano está a assinalar dez anos de existência e, esta quinta-feira, realiza uma mesa redonda, integrada na 2ª semana de cuidados paliativos do Litoral Alentejano.

Dez anos decorridos desde a entrada em funcionamento desta unidade – a primeira no Alentejo -, que entretanto se tornou num Serviço Integrado Hospitalar e Domiciliário, Margarida Damas de Carvalho, responsável pelo serviço e coordenadora regional do Alentejo dos cuidados paliativos, explica quais são os serviços que a unidade presta.

“Desde há dez anos que temos a unidade de cuidados paliativos, consulta externa programada e urgente, consultadoria a todos os profissionais da ULSLA e apoio telefónico 24H/dia a doentes, familiares e profissionais”, explica Margarida de Carvalho.

A Unidade de Cuidados Paliativos presta apoio a pessoas com doenças avançadas progressivas tendo como alvo melhorar a qualidade de vida dos doentes e da família, através de uma equipa multidisciplinar. “É uma abordagem holística, global, coordenada, médica, de enfermagem, com o contributo de assistentes sociais, psicológica e emocional. E tem uma vertente muito importante de prevenção, que permite preparar as famílias e os doentes, uma vez que a maioria das pessoas pensa que o trabalho dos paliativos resume-se a tratar sintomas como a dor, a falta de ar e os vómitos mas, é muito mais, passa também por prevenir e tentar evitar que eles venham a aparecer nessas fases complicadas da vida”, resumiu a especialista.

Em declarações à Miróbriga, Margarida de Carvalho explica que os cuidados paliativos não se destinam apenas a pessoas em fase terminal mas também a pacientes com doenças não oncológicas. “São cuidados em todo o mundo para acompanhar pessoas com doenças muito complicadas que quando são diagnosticadas são logo graves, como por exemplo a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) que à partida, na altura do diagnóstico, devia ser logo acompanhada em simultâneo pela equipa dos paliativos, o que quer dizer que seguimos os doentes em conjunto com as outras especialidades”, elucidou.

Ou seja, além de todos os tratamentos ao dispor, os doentes podem ser apoiados por equipas de paliativos, seja em situação de crise ou de forma permanente.

Com oito camas de internamento e uma equipa composta por onze elementos permanentes, entre médicos e enfermeiros, uma psicóloga e uma assistente social, a unidade trabalha com a rede local de serviços de saúde o que permite dar apoio domiciliário. “Temos um serviço que é transversal, ou seja é hospitalar e é dos cuidados de saúde primários, porque temos na comunidade três tardes por semana, com visitas conjuntas com as equipas dos centros de saúde que vão ao domicilio”.

“O nosso desejo, seguindo determinantes da legislação nacional, é implementar este serviço nos 365 dias do ano e é por isso que lutamos e tentamos ter recursos humanos, que é o nosso maior problema”, lamentou.

Margarida de Carvalho faz um balanço positivo do trabalho realizado dos últimos dez anos. “A nossa unidade de internamento não é de longa duração, mas para doentes urgentes ou por emergência sócio-familiar. A nossa demora média é entre os 16 e os dezassete dias e a mortalidade está de acordo com as unidades de paliativos deste tipo mas conseguimos dar alta aos doentes para domicílio à volta de 30 a 35 por cento o que é ótimo”, concluiu a responsável.

A mesa redonda, dirigida a todos os profissionais de saúde, vai debruçar-se sobre os cuidados paliativos e as várias perspetivas de enfermeiros, médicos e especialistas em Portugal.

O encontro, que se realiza no auditório do Hospital do Litoral Alentejano, realiza-se esta tarde. Amanhã, sexta-feira, o aniversário da unidade é assinalado com um lanche partilhado e no sábado, dia 23 de junho, realiza-se uma prova de orientação, para profissionais da ULSLA e população em geral, no rio da Figueira, em Santiago do Cacém.

Recorde-se que a UCP foi inaugurada a 20 de junho de 2008 mas só no ano passado é que o serviço de internamento ganhou novas instalações, graças ao apoio da Fundação EDP que financiou em 85% o projeto que rondou os 120 mil euros. A unidade conta com consulta externa, hospital de dia e um serviço comunitários com equipas de proximidade com viatura própria.

 

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